Mirim-guaçu no centro de uma flor rosa de pessegueiro
Meliponini

Painel · Espécies

Mirim-guaçu

Plebeia remota(Holmberg, 1903)

Abelha nativa sem ferrão

Pequena, resistente ao frio e extremamente higiênica: a mirim-guaçu é uma das abelhas sem ferrão mais estudadas do Sul e do Sudeste.

Também chamada de abelha-preguiçosa

Identificação

Nome popular

Mirim-guaçu

Nome científico

Plebeia remota

Família

Apidae

Tribo

Meliponini

Grupo

Abelhas-sem-ferrão

Ferrão

Atrofiado — não funcional

Distribuição

Sul e Sudeste do Brasil e Bolívia

Perfil biológico

Rainha de mirim-guaçu, de abdômen listrado, cercada por operárias sobre o favo

Características

  • Tamanho

    Operárias de cerca de 3 a 4 mm.

  • Coloração

    Corpo e pernas escuros, com marcas amarelas no centro da face e abaixo das antenas.

  • Comportamento

    Mansa e de fácil manejo; começa a voar a partir de cerca de 10 °C.

  • Defesa

    Entrada minúscula de própolis escura, do tamanho da cabeça de uma operária.

  • Adaptação

    Entra em diapausa reprodutiva no outono e no inverno, quando quase para de criar.

ANTENASCABEÇATÓRAXASASPERNASABDÔMEN
AnatomiaEsquema genérico · vista dorsal

A colônia

Mirim-guaçu na entrada circular do ninho

Rainha

Vive em média um ano e meio, podendo chegar a 4 anos, e põe mais de 220 ovos por dia.

Operárias

Vivem em média 68 dias e passam por 7 tarefas ao longo da vida, terminando como forrageiras.

Machos

Cerca de um quarto da cria; aglomeram-se na entrada à espera da rainha virgem.

Organização social

Colônias de 800 a 5 mil abelhas, com divisão de trabalho por idade.

Defesa do ninho

A entrada estreita deixa passar uma abelha por vez.

Estrutura da colônia

  • Rainha
  • Operárias
  • Machos
  • Forrageiras

Arquitetura do ninho

Ninho de mirim-guaçu com células de cria e cabos de cerume

Localização

Ocos de troncos de árvores, difíceis de achar por causa da entrada muito pequena.

Entrada

Pequena estrutura de própolis escura.

Estrutura interna

Pilha de 8 a 10 favos horizontais; o invólucro falta ou aparece só nos meses frios.

Armazenamento

Potes de mel perto dos favos e potes de pólen perto da entrada.

Estrutura do ninho

De fora para dentro

  1. Entrada de própolis
  2. Potes de pólen
  3. Favos horizontais
  4. Potes de mel

Materiais do ninho

Entrada de mirim-guaçu com uma operária espiando pela abertura

Cabos de cerume

Ligam e fixam as estruturas, formando um emaranhado característico.

Resinas

Guardadas em depósitos próprios dentro do ninho.

Higiene

Remove em média 96% da cria morta em 48 horas.

Telhado de cerume

Colônias de Cunha (SP) constroem uma camada extra de cerume em forma de telhado no período reprodutivo.

Materiais

  • Bloco de cera de abelha

    Cera

    Secretada por glândulas do abdômen das operárias.

  • Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

    Cerume

    Cera misturada a resinas: material dos favos, potes e tubos.

  • Pedaços de própolis escura sobre madeira

    Resina

    Coletada de plantas pelas operárias mais velhas.

Cera + resinas → cerume · resinas → própolis

Forrageamento

Mirim-guaçu coletando em uma flor rosa

Néctar

Coletado principalmente de oito fontes florais.

Pólen

Vem de cerca de sete fontes usadas com intensidade.

Resina

Base do cerume e da própolis da entrada.

Da flor ao alimento

  1. Flores
  2. Coleta
  3. Colônia
  4. Alimento

Usa poucas fontes florais de forma intensa, em geral a até ~100 m do ninho — como palmeiras, embaúbas e eucaliptos.

Polinizadora

Mirim-guaçu no centro de uma flor rosa de pessegueiro

Polinizadora

Pequena abelha.
Grande impacto ecológico.

Com potencial para polinização e para a produção de própolis, a mirim-guaçu é uma aliada da meliponicultura no Sul e Sudeste.

  • Polinização
  • Importância ecológica
  • Biodiversidade
  • Agricultura

O que a Mirim-guaçu produz

Mel

Guardado em potes próximos aos favos de cria.

Potes de mel e discos de cria de abelha sem ferrão dentro de uma caixa racional

Cerume

Forma cabos, potes e, no frio, o invólucro.

Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

Própolis

Espécie com potencial para produção de própolis.

Pedaços de própolis escura sobre madeira

Pólen

Guardado em potes próximos à entrada.

Abelha jataí com as corbículas das pernas carregadas de pólen

Onde ela vive?

América do Sul e Central

Área de ocorrência conhecidaEstados brasileiros e países com registro · Catálogo Moure

Habitat

Matas do Sul e do Sudeste do Brasil e da Bolívia.

Adaptação

Tolera o frio e reduz a criação no inverno (diapausa).

Vegetação

Palmeiras, embaúbas, eucaliptos e outras árvores perto do ninho.

Distribuição · Sul e Sudeste do Brasil e Bolívia.

Você sabia?

  • Remove quase toda a cria morta em 48 h — muito mais rápido que a mandaçaia e a jataí.

  • A rainha acasala uma única vez.

  • Populações de São Paulo e do Paraná mantiveram diferenças de comportamento mesmo criadas lado a lado por uma década.

  • Rainhas miniatura também acasalam e põem ovos como as de tamanho normal.

Ficha técnica

Ficha técnica

Nome popular
Mirim-guaçu
Nome científico
Plebeia remota (Holmberg, 1903)
Grupo
Abelhas-sem-ferrão
Gênero
Plebeia
Tribo
Meliponini
Família
Apidae
Ferrão
Atrofiado — não funcional
Tamanho
Cerca de 3 a 4 mm
População da colônia
800 a 5 mil abelhas
Distribuição
Sul e Sudeste do Brasil e Bolívia
Importância
Polinização; potencial para produção de própolis
Produtos
Mel · Cerume · Própolis · Pólen

Fontes e créditos

Créditos das fotografias ›
  • Foto de abertura: Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY 4.0 · fonte
  • A colônia: Bruno Henrique Aranda · CC BY 4.0 · fonte
  • Materiais do ninho: Bruno Henrique Aranda · CC BY 4.0 · fonte
  • Forrageamento: Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY 4.0 · fonte
  • Perfil biológico: Rodolfo Guimarães Vieira da Silva · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Arquitetura do ninho: Agelaia · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Textura: pólen: Autor(a) do iNaturalist (domínio público) · CC0 · fonte
  • Textura: geoprópolis: Reinaldo de Oliveira Elias · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: mel: Paczki sa nalepsze z dzemem · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Textura: cera: Frank Mikley · CC BY 2.5 · fonte
  • Textura: própolis: Epukas · Public domain · fonte