Bugia de pelagem dourada pousada na ponta de um dedo
Meliponini

Painel · Espécies

Bugia

Melipona mondurySmith, 1863

Abelha nativa sem ferrão

Grande, dourada e muito mansa, a bugia é uma joia da Mata Atlântica — e sente de perto os efeitos da fragmentação da floresta.

Também chamada de uruçu-amarela · tujuba · tujuva · monduri

Identificação

Nome popular

Bugia

Nome científico

Melipona mondury

Família

Apidae

Tribo

Meliponini

Grupo

Abelhas-sem-ferrão

Ferrão

Atrofiado — não funcional

Distribuição

Mata Atlântica, do sul da Bahia a Santa Catarina

Perfil biológico

Bugia vista de cima, com pelos amarelados e asas translúcidas

Características

  • Tamanho

    Abelha grande: operárias de 11 a 13 mm.

  • Coloração

    Tegumento do negro ao ferrugíneo, coberto de pelos amarelo-ouro; pernas traseiras amareladas.

  • Comportamento

    Muito mansa; forrageia desde cedo, mesmo no inverno.

  • Defesa

    Sem ferrão funcional; uma guarda fica posicionada na entrada estreita do ninho.

  • Adaptação

    Vive em florestas úmidas, geralmente abaixo de 400 m de altitude, e tolera pouco o frio.

ANTENASCABEÇATÓRAXASASPERNASABDÔMEN
AnatomiaEsquema genérico · vista dorsal

A colônia

Bugia na entrada da colônia, cercada por resina avermelhada

Rainha

Como em outras Melipona, não há células reais: as rainhas nascem de células iguais às das operárias.

Operárias

Coletoras generalistas e eficientes de pólen e néctar.

Machos

Vêm de ovos não fecundados e deixam a colônia para acasalar.

Organização social

Colônias naturais com cerca de 3,5 a 10 mil indivíduos, contando crias e adultos.

Defesa do ninho

A entrada tem só cerca de 1 cm de diâmetro: passa uma abelha por vez.

Estrutura da colônia

  • Rainha
  • Operárias
  • Machos
  • Guarda

Arquitetura do ninho

Bugia saindo pela entrada de uma caixa de madeira azul

Localização

Ocos de troncos com cerca de 18 L, entre 2,8 e 5,2 m acima do chão.

Entrada

Estrutura endurecida e avermelhada de barro, cera, resina e própolis.

Estrutura interna

Cerca de 9 favos de cria separados por pilares de cera e envoltos por invólucro.

Armazenamento

Potes de mel e de pólen com cerca de 3 cm de altura; cada pote de mel guarda uns 16 mL.

Estrutura do ninho

De fora para dentro

  1. Entrada de barro
  2. Invólucro
  3. Favos de cria
  4. Potes de alimento

Materiais do ninho

Bugia sobre madeira cortada de casca avermelhada

Árvores usadas

Registrada em ocos de canela-sassafrás, ipê-amarelo e outras árvores nativas.

Invólucro

Fica mais espesso em épocas frias e em colônias menos populosas.

Termorregulação

Mantém a área de cria perto de 29,7 °C mesmo com o ambiente entre 17 e 30 °C.

Geoprópolis

Barro com resinas e cerume endurece a entrada e as paredes.

Materiais

  • Bloco de cera de abelha

    Cera

    Secretada por glândulas do abdômen das operárias.

  • Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

    Cerume

    Cera misturada a resinas: material dos favos, potes e tubos.

  • Entrada de ninho de mandaçaia feita de geoprópolis, com uma abelha guarda

    Geoprópolis

    Barro misturado a resinas e cerume, usado na entrada e nas paredes.

Cera + resinas → cerume · cerume + barro → geoprópolis

Forrageamento

Bugia coletando em uma flor branca

Néctar

Vira um mel suave, levemente ácido e de aroma floral.

Pólen

Guardado em potes do mesmo tamanho dos de mel.

Barro e resina

Coletados para construir a entrada e as paredes do ninho.

Da flor ao alimento

  1. Flores
  2. Coleta
  3. Colônia
  4. Alimento

Ampla janela diária de forrageamento, com preferência por estímulos visuais no espectro UV-azul.

Polinizadora

Bugia coletando pólen no miolo de um girassol

Polinizadora

Abelha nativa.
Grande impacto ecológico.

Importante polinizadora de plantas nativas da Mata Atlântica, a bugia ajuda a manter a floresta que lhe dá abrigo.

  • Polinização
  • Importância ecológica
  • Biodiversidade
  • Agricultura

O que a Bugia produz

Mel

Suave, levemente ácido e de aroma floral marcante; muito valorizado na meliponicultura.

Potes de mel e discos de cria de abelha sem ferrão dentro de uma caixa racional

Cerume

Forma o invólucro, os favos e os potes.

Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

Própolis

Resinas avermelhadas presentes na entrada do ninho.

Pedaços de própolis escura sobre madeira

Geoprópolis

Estudos apontam propriedades antioxidantes e antimicrobianas no mel e na geoprópolis da espécie.

Entrada de ninho de mandaçaia feita de geoprópolis, com uma abelha guarda

Onde ela vive?

América do Sul e Central

Área de ocorrência conhecidaEstados brasileiros e países com registro · Catálogo Moure

Habitat

Florestas úmidas da Mata Atlântica, em regiões costeiras e serranas.

Adaptação

Sensível à fragmentação; a criação em meliponários ajuda na conservação.

Vegetação

Generalista: visita diversas plantas nativas da Mata Atlântica.

Distribuição · Mata Atlântica, do sul da Bahia a Santa Catarina.

Você sabia?

  • O nome uruçu-amarela vem da pelagem dourada.

  • A área de cria fica perto de 30 °C mesmo em dias frios.

  • Pode ser confundida com a tujuba (Melipona rufiventris); as pernas traseiras amarelas ajudam a diferenciar.

  • Do ovo à abelha adulta são cerca de 38 dias.

Ficha técnica

Ficha técnica

Nome popular
Bugia
Nome científico
Melipona mondury Smith, 1863
Grupo
Abelhas-sem-ferrão
Gênero
Melipona
Tribo
Meliponini
Família
Apidae
Ferrão
Atrofiado — não funcional
Tamanho
11 a 13 mm
População da colônia
Cerca de 3,5 a 10 mil indivíduos (crias e adultos)
Distribuição
Mata Atlântica, do sul da Bahia a Santa Catarina
Importância
Polinização da Mata Atlântica; meliponicultura
Produtos
Mel · Cerume · Própolis · Geoprópolis

Fontes e créditos

Créditos das fotografias ›
  • Foto de abertura: Paulo Mascaretti · CC BY 4.0 · fonte
  • A colônia: IndridCold2024 · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Arquitetura do ninho: Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY 4.0 · fonte
  • Forrageamento: Vitoria Fortes · CC BY 4.0 · fonte
  • Polinizadora: Gabriel O. Keller · CC BY 4.0 · fonte
  • Perfil biológico: Marcelo Venturi · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Materiais do ninho: Diogo Luiz · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: pólen: Autor(a) do iNaturalist (domínio público) · CC0 · fonte
  • Textura: geoprópolis: Reinaldo de Oliveira Elias · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: mel: Paczki sa nalepsze z dzemem · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Textura: cera: Frank Mikley · CC BY 2.5 · fonte
  • Textura: própolis: Epukas · Public domain · fonte