Abelha jataí pousada sobre um tronco, em fotografia macro
Meliponini

Painel · Espécies

Jataí

Tetragonisca angustula(Latreille, 1811)

Abelha nativa sem ferrão

Pequena no tamanho, gigante na importância. Uma das abelhas sem ferrão mais difundidas dos neotrópicos, capaz de viver em matas, no campo e no meio das cidades.

Também chamada de jataí-amarela · abelha-ouro · mosquitinha-verdadeira · sete-portas

Identificação

Nome popular

Jataí

Nome científico

Tetragonisca angustula

Família

Apidae

Tribo

Meliponini

Grupo

Abelhas-sem-ferrão

Ferrão

Atrofiado — não funcional

Distribuição

Do sul do México ao Sul do Brasil, na América Central e do Sul

Perfil biológico

Jataí em voo, vista de perfil, com olhos esverdeados e pernas traseiras carregadas

Características

  • Tamanho

    Abelha muito pequena: as operárias medem cerca de 4 a 5 mm.

  • Coloração

    Cabeça e tórax escuros; abdômen e pernas em tons de amarelo a castanho — daí o nome abelha-ouro.

  • Comportamento

    Eussocial e dócil. As forrageiras trabalham guiadas pela própria experiência, com pouco recrutamento de companheiras.

  • Defesa

    Sem ferrão funcional, conta com soldados cerca de 30% mais pesados que as forrageiras, sempre na entrada do ninho.

  • Adaptação

    Ocupa florestas em recuperação, matas estruturadas e cidades, nidificando até em frestas de paredes.

ANTENASCABEÇATÓRAXASASPERNASABDÔMEN
AnatomiaEsquema genérico · vista dorsal

A colônia

Tubo de entrada de cerume de uma colônia de jataí com várias guardas na borda

Rainha

Uma única rainha acasalada por colônia. Novas rainhas são criadas em células reais, maiores, na borda dos favos.

Operárias

Cerca de 84% da cria. Começam limpando e construindo o ninho e passam a forragear por volta do 16º dia de vida.

Machos

Cerca de 16% da cria, mais comuns no fim do verão. Saem do ninho para acasalar e não retornam.

Organização social

Colônia eussocial com divisão de tarefas por idade; as operárias vivem em média 21 dias, algumas até 60.

Defesa do ninho

De 2 a 45 soldados guardam a entrada: uns pousados no tubo, outros pairando no ar diante dele.

Estrutura da colônia

  • Rainha
  • Operárias
  • Machos
  • Soldados

Arquitetura do ninho

Tubo de entrada de cerume da jataí com operárias entrando e saindo

Localização

Cavidades preexistentes: ocos de troncos, frestas em paredes e até ninhos abandonados de formigas ou cupins.

Entrada

Tubo de cerume em forma de dedo de luva, com cerca de 2 cm de comprimento e 0,6 cm de diâmetro, fechado à noite.

Estrutura interna

Favos de cria horizontais no centro do ninho, envoltos por lâminas de cerume — o invólucro — que estabilizam o clima interno.

Armazenamento

Mel e pólen guardados em potes de cerume ao redor da área de cria.

Estrutura do ninho

De fora para dentro

  1. Tubo de entrada
  2. Invólucro
  3. Favos de cria
  4. Potes de alimento

Materiais do ninho

Dois tubos de entrada de jataí saindo de um tronco coberto de musgo

Onde nidifica

Troncos, muros e caixas; em áreas urbanas o ninho costuma passar despercebido.

Novo ninho

Na enxameação, a colônia-mãe leva cerume, mel e pólen para o novo local, a poucas centenas de metros.

Vedação

Frestas e buracos da cavidade são selados com cerume trazido da colônia-mãe.

Resinas

Operárias mais velhas coletam resinas de plantas, base do cerume e da própolis.

Materiais

  • Bloco de cera de abelha

    Cera

    Secretada por glândulas do abdômen das operárias.

  • Pedaços de própolis escura sobre madeira

    Resina

    Coletada de plantas pelas operárias mais velhas.

  • Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

    Cerume

    Cera misturada a resinas: material dos favos, potes e tubos.

Cera + resinas → cerume

Forrageamento

Jataí coletando pólen em uma flor clara, com a corbícula carregada

Néctar

Fonte de energia; é desidratado e guardado como mel nos potes.

Pólen

Proteína para as larvas. A aroeira-vermelha está entre as plantas mais visitadas.

Resina

Coletada de plantas para produzir cerume e própolis.

Da flor ao alimento

  1. Flores
  2. Coleta
  3. Colônia
  4. Alimento

Forrageia em geral a menos de 600 m do ninho, com pico de atividade perto do meio-dia.

Polinizadora

Jataí coletando néctar e pólen no centro de uma flor amarela

Polinizadora

Pequena abelha.
Grande impacto ecológico.

Em um estudo no Brasil, a Jataí foi registrada em 61 espécies de plantas — 45 delas visitadas quase só por ela. Por visitar flores muito diferentes, contribui para a polinização de plantas nativas e cultivadas.

  • Polinização
  • Importância ecológica
  • Biodiversidade
  • Agricultura

O que a Jataí produz

Mel

Claro e de aroma suave, mais úmido e ácido que o de Apis; em alguns países é chamado de “mel de anjo”.

Potes de mel e discos de cria de abelha sem ferrão dentro de uma caixa racional

Cerume

Cera com resinas, usada no tubo de entrada, nos favos e nos potes.

Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

Própolis

Estudos mostram atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus.

Pedaços de própolis escura sobre madeira

Pólen

Armazenado em potes de cerume para alimentar as larvas.

Abelha jataí com as corbículas das pernas carregadas de pólen

Onde ela vive?

América do Sul e Central

Área de ocorrência conhecidaEstados brasileiros e países com registro · Catálogo Moure

Habitat

Matas nativas, florestas em recuperação, áreas rurais e urbanas.

Adaptação

Nidifica em cavidades muito variadas, inclusive em construções humanas.

Vegetação

Generalista: visita grande diversidade de plantas nativas e exóticas.

Microclima da Jataí

Colônia monitorada · registro do mês

Carregando registros…

Biologia + tecnologia

O MeliSensores acompanha a colônia de Jataí do meliponário sem abrir o ninho: sensores dentro e fora da colmeia enviam leituras a um ESP32, que as transmite ao MeliTech. Os dados ajudam a entender o comportamento da colônia e a cuidar da sua preservação.

  1. Colmeia
  2. Sensores
  3. ESP32
  4. MeliTech
  5. Dados
  • Temperatura interna

    Sensor dentro do ninho

  • Umidade interna

    Sensor dentro do ninho

  • Temperatura externa

    Sensor no ambiente

  • Umidade externa

    Sensor no ambiente

  • Vibração

    Monitoramento da atividade da colônia

  • ESP32

    Coleta e transmissão dos dados

Você sabia?

  • Foi a primeira abelha em que se descreveu uma casta de soldados, em 2012.

  • Seus guardas estão entre os mais precisos no reconhecimento de companheiras de ninho já estudados.

  • O nome jataí vem do tupi antigo îate'i.

  • A entrada às vezes ramificada rendeu apelidos como sete-portas e três-portas.

Ficha técnica

Ficha técnica

Nome popular
Jataí
Nome científico
Tetragonisca angustula (Latreille, 1811)
Grupo
Abelhas-sem-ferrão
Gênero
Tetragonisca
Tribo
Meliponini
Família
Apidae
Ferrão
Atrofiado — não funcional
Tamanho
4 a 5 mm
População da colônia
Até cerca de 10 mil abelhas
Distribuição
Do sul do México ao Sul do Brasil, na América Central e do Sul
Importância
Polinização de plantas nativas e cultivadas; mel valorizado
Produtos
Mel · Cerume · Própolis · Pólen

Fontes e créditos

Fontes científicas

Créditos das fotografias ›
  • A colônia: Grete Pasch · CC BY 4.0 · fonte
  • Arquitetura do ninho: Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY 4.0 · fonte
  • Materiais do ninho: Geoff Gallice from Gainesville, FL, USA · CC BY 2.0 · fonte
  • Forrageamento: Autor(a) do iNaturalist (domínio público) · CC0 · fonte
  • Polinizadora: Fernando.servan · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: geoprópolis: Reinaldo de Oliveira Elias · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: mel: Paczki sa nalepsze z dzemem · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Textura: cera: Frank Mikley · CC BY 2.5 · fonte
  • Textura: própolis: Epukas · Public domain · fonte