Mandaçaia de corpo preto e faixas amarelas no abdômen, vista de lado
Meliponini

Painel · Espécies

Mandaçaia

Melipona quadrifasciataLepeletier, 1836

Abelha nativa sem ferrão

Robusta, mansa e de listras amarelas marcantes: uma das Melipona mais comuns do Sudeste brasileiro e presença clássica nos meliponários.

Também chamada de mandaçaia-grande · amanaçaí · manaçaia

Identificação

Nome popular

Mandaçaia

Nome científico

Melipona quadrifasciata

Família

Apidae

Tribo

Meliponini

Grupo

Abelhas-sem-ferrão

Ferrão

Atrofiado — não funcional

Distribuição

Leste e Sul do Brasil, nordeste da Argentina (Misiones) e Paraguai

Perfil biológico

Exemplar de mandaçaia em coleção científica, com as faixas amarelas do abdômen e pólen nas pernas

Características

  • Tamanho

    Operárias de 10 a 11 mm, com corpo mais robusto que o da abelha-europeia (Apis mellifera).

  • Coloração

    Cabeça e tórax pretos, faixas amarelas do 3º ao 6º segmento do abdômen e asas ferrugíneas.

  • Comportamento

    Extremamente mansa e tímida: ao abrir a colmeia, as abelhas correm para os cantos escuros.

  • Defesa

    Raramente belisca; em colônias fortes, só voa ao redor do intruso. Uma vigia fica na entrada durante o dia.

  • Adaptação

    Nidifica em ocos de árvores a 1–3 m do chão, em ninhos de saúva e até em casas de joão-de-barro abandonadas.

ANTENASCABEÇATÓRAXASASPERNASABDÔMEN
AnatomiaEsquema genérico · vista dorsal

A colônia

Várias mandaçaias sobre os favos de cria dentro do ninho

Rainha

Depois de acasalar, o abdômen se expande (fisogastria) e ela não voa mais, dedicando-se à postura.

Operárias

As jovens, de 12 a 21 dias, constroem e abastecem as células; as mais velhas coletam néctar, pólen e água.

Machos

Vêm de ovos não fecundados, postos pela rainha ou por operárias.

Organização social

Colônias perenes e pequenas, de 300 a 400 abelhas adultas.

Defesa do ninho

A entrada estreita deixa passar uma abelha por vez e é vigiada por uma guarda.

Estrutura da colônia

  • Rainha
  • Operárias
  • Machos
  • Guardas

Arquitetura do ninho

Caixa aberta de mandaçaia com potes de alimento e o disco de cria

Localização

Ocos de troncos e galhos; no Cerrado, o pequizeiro é muito usado para nidificação.

Entrada

De barro (geoprópolis), com raias convergentes em direção a um orifício estreito.

Estrutura interna

Favos de cria horizontais ou helicoidais, sem células reais, cercados por invólucro de cerume.

Armazenamento

Potes ovoides de 3 a 4 cm de altura para mel e pólen.

Estrutura do ninho

De fora para dentro

  1. Entrada de barro
  2. Invólucro
  3. Favos de cria
  4. Potes de alimento

Materiais do ninho

Mandaçaia na entrada do ninho feita de geoprópolis

Onde nidifica

Troncos vivos a poucos metros do chão — um nicho estreito, sensível ao desmatamento.

Novo ninho

Quando a colônia passa de 500–600 abelhas, operárias preparam um novo ninho e só depois chega uma rainha jovem.

Geoprópolis

Barro misturado a resinas e cerume forma a entrada e reforça as paredes.

Invólucro

Lâminas de cerume em volta dos favos protegem a área de cria.

Materiais

  • Bloco de cera de abelha

    Cera

    Secretada por glândulas do abdômen das operárias.

  • Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

    Cerume

    Cera misturada a resinas: material dos favos, potes e tubos.

  • Entrada de ninho de mandaçaia feita de geoprópolis, com uma abelha guarda

    Geoprópolis

    Barro misturado a resinas e cerume, usado na entrada e nas paredes.

Cera + resinas → cerume · cerume + barro → geoprópolis

Forrageamento

Mandaçaia coletando pólen em uma flor branca

Néctar

Transformado em mel, claro e pouco viscoso.

Pólen

Alimento das larvas, armazenado em potes ovoides.

Água

Coletada pelas operárias mais velhas junto com néctar e pólen.

Da flor ao alimento

  1. Flores
  2. Coleta
  3. Colônia
  4. Alimento

Mais ativa no início da manhã, com umidade alta e temperatura moderada. Consegue indicar às companheiras a direção de uma fonte de alimento.

Polinizadora

Mandaçaia no centro de uma flor laranja de cosmos

Polinizadora

Abelha nativa.
Grande impacto ecológico.

Usada como polinizadora em estufas no Brasil, a mandaçaia produziu frutos maiores e com mais sementes do que os polinizados pela abelha-europeia.

  • Polinização
  • Importância ecológica
  • Biodiversidade
  • Agricultura

O que a Mandaçaia produz

Mel

Claro, pouco viscoso, menos doce e com toque cítrico; 1 a 1,5 L por colmeia numa boa florada, mais em regiões quentes.

Potes de mel e discos de cria de abelha sem ferrão dentro de uma caixa racional

Cerume

Forma o invólucro, as células de cria e os potes.

Tubo de entrada de cerume construído por abelhas jataí no meliponário da Etec

Própolis

Resinas vegetais coletadas pelas operárias.

Pedaços de própolis escura sobre madeira

Geoprópolis

Barro com resinas e cerume, usado na entrada e nas paredes do ninho.

Entrada de ninho de mandaçaia feita de geoprópolis, com uma abelha guarda

Onde ela vive?

América do Sul e Central

Área de ocorrência conhecidaEstados brasileiros e países com registro · Catálogo Moure

Habitat

Mata Atlântica e Cerrado, sobretudo no Sudeste e no Sul do Brasil.

Adaptação

Depende de árvores com ocos; aceita bem caixas racionais e a troca de rainhas entre meliponários.

Vegetação

Visita assa-peixe, girassol, murta e até a astrapéia (Dombeya wallichii).

Distribuição · Leste e Sul do Brasil, nordeste da Argentina (Misiones) e Paraguai.

Você sabia?

  • Mandaçaia vem do tupi antigo amanasãia, frequentemente traduzido como “vigia bonito”.

  • Não há células reais: a casta é definida por genética e alimentação, e até 25% das crias bem nutridas viram rainhas.

  • Do ovo à abelha adulta são cerca de 38 dias: 5 de ovo, 15 de larva e 18 de pupa.

  • Há duas subespécies: M. q. quadrifasciata, com listras contínuas, e M. q. anthidioides, com listras interrompidas.

Ficha técnica

Ficha técnica

Nome popular
Mandaçaia
Nome científico
Melipona quadrifasciata Lepeletier, 1836
Grupo
Abelhas-sem-ferrão
Gênero
Melipona
Tribo
Meliponini
Família
Apidae
Ferrão
Atrofiado — não funcional
Tamanho
10 a 11 mm
População da colônia
300 a 400 abelhas adultas
Distribuição
Leste e Sul do Brasil, nordeste da Argentina (Misiones) e Paraguai
Importância
Polinização em estufas e na natureza; meliponicultura
Produtos
Mel · Cerume · Própolis · Geoprópolis

Fontes e créditos

Créditos das fotografias ›
  • Foto de abertura: Autor(a) do iNaturalist (domínio público) · CC0 · fonte
  • Perfil biológico: Bruno Henrique Aranda · CC BY 4.0 · fonte
  • A colônia: Heather Cayton · CC BY 4.0 · fonte
  • Arquitetura do ninho: GabrielaBalen12 · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Materiais do ninho: Reinaldo de Oliveira Elias · CC BY 4.0 · fonte
  • Forrageamento: Bruno Henrique Aranda · CC BY 4.0 · fonte
  • Polinizadora: Douglas · CC BY 4.0 · fonte
  • Textura: pólen: Autor(a) do iNaturalist (domínio público) · CC0 · fonte
  • Textura: mel: Paczki sa nalepsze z dzemem · CC BY-SA 4.0 · fonte
  • Textura: cera: Frank Mikley · CC BY 2.5 · fonte
  • Textura: própolis: Epukas · Public domain · fonte